O imperativo do Comércio Unificado: Redefinir o Cost-to-Serve no Retalho
Por Francisco Mato, Co-Founder & CEO, Janis Commerce
Há alguns dias, estivemos presentes no Retail Day Buenos Aires, um dos encontros mais importantes do nosso setor na região, e tive a oportunidade de falar no palco principal para centenas de executivos, colegas e líderes do mundo varejista na América Latina. Sob o tema da nossa palestra "Tecnologia & Cost to Serve", quis colocar em pauta uma conversa desconfortável, porém urgente: a necessidade imperiosa de olhar além da última milha para resgatar a rentabilidade do negócio.
Francisco Mato, CEO & Co-Founder, Janis Commerce
Na última década, nosso setor correu uma maratona frenética em direção à digitalização, focando quase todos os seus esforços em um único lugar: a entrega ao consumidor final (B2C). Vimos investimentos milionários destinados a otimizar o porta a porta e a gig economy. No entanto, enquanto tentamos resolver a foz do rio, estamos ignorando a verdadeira sangria de margem que ocorre rio acima: na logística interna e no reabastecimento (B2B) que alimenta cada loja, dark store ou ponto de venda.
O contexto latino-americano: Operar no "Modo Difícil" e a tensão da margem
Gerir cadeias de suprimentos na América Latina sob modelos tradicionais já não é um desafio tático; é um desafio de sobrevivência. Em nossa região, jogamos no que gosto de chamar de "modo difícil". Os indicadores globais são claros: a lacuna estrutural é imensa, e a América Latina apresenta um custo logístico relativo sobre o PIB que supera em 70% o de mercados maduros como o dos Estados Unidos.
Hoje, enfrentamos um mercado extremamente exigente. A pressão constante sobre as margens convive com consumidores que esperam imediatismo, disponibilidade real e experiências fluidas, sem qualquer tipo de atrito. Essa realidade gera uma tensão clara entre o crescimento comercial e a rentabilidade.
Diante deste cenário, devemos entender que o principal desafio já não é apenas vender mais, mas executar impecavelmente cada processo operacional. O verdadeiro sucesso reside em fazer com que o crescimento das vendas coexista com uma disciplina de custos implacável.
Fontes: World Bank, Armstrong & Associates, ALALOG 2024
Se a essa inércia estrutural somarmos a volatilidade macroeconômica, a inflação e os custos variáveis, a equação do Cost-to-Serve (o custo real de atender e colocar um produto nas mãos do cliente) pode chegar a consumir mais de 30% da receita total no setor de bens de consumo. Em operações caracterizadas por "low margin, high volume" (baixa margem e alto volume), o Cost-to-Serve está se tornando o principal e mais crítico campo de competição do varejo moderno.
O verdadeiro custo de uma prateleira vazia
Quando um consumidor encontra uma gôndola vazia, o impacto para o varejista escala rapidamente de leve a crítico: desde a substituição de um produto até o abandono total da compra ou, pior ainda, a migração definitiva para a concorrência. Essas rupturas de estoque impactam diretamente a conversão, destroem a lealdade à marca e corroem drasticamente as já apertadas margens do setor.
Estatísticas globais do setor reportam perdas agregadas de bilhões de dólares anuais exclusivamente devido à falta de mercadoria na gôndola. O alarmante é que a maioria dessas rupturas não provém de fatores externos da cadeia de suprimentos, mas de falhas internas:
🔹Planejamento desconectado.
🔹Sistemas de gestão de armazéns (WMS) operando como silos.
🔹Decisões baseadas em históricos puramente reativos.
A física da logística interna B2B é assimétrica em relação à do B2C. Enquanto o comércio eletrônico lida com unidades individuais com janelas de entrega dinâmicas, o reabastecimento de lojas movimenta paletes completos e cargas consolidadas sob janelas rígidas. Uma falha na última milha afeta um usuário localizado; uma ruptura no reabastecimento B2B paralisa uma filial inteira e afeta milhares de consumidores simultaneamente.
A metamorfose operacional: O caminho evolutivo dos silos do varejo tradicional para o potencial logístico do Comércio Unificado.
Comércio Unificado: Da teoria à orquestração real
Para consolidar a mudança exigida pelo mercado atual, precisamos evoluir do modelo omnicanal de transição — marcado por integrações ponto a ponto frágeis e atualizações de estoque em lotes (batches) — para o verdadeiro Comércio Unificado. Nesse novo paradigma, a loja física deixa de ser um mero destino estático de venda para se transformar em um nó logístico ativo de microatendimento (micro-fulfillment).
Na Janis Commerce, temos impulsionado uma evolução conceitual clara: passar da gestão operacional tradicional baseada em regras rígidas para uma operação orquestrada por decisões inteligentes em tempo real. O comércio unificado que propomos implica que os canais de venda e os processos logísticos deixem de ser compartimentos estanques e comecem a operar como uma única rede neural integrada, coordenada por dados vivos.
Como alcançamos isso sem aumentar drasticamente o CAPEX em infraestrutura ou sermos obrigados a substituir o ERP legado?
A resposta está na tecnologia de orquestração flexível. Ao acoplar uma camada inteligente de Orquestração de Pedidos (Distributed Order Management o DOM) junto a sistemas WMS e TMS otimizados, e coordenando tudo sob a potência do Janis Inventory (nosso módulo central de gestão de inventário), não substituímos o que já funciona: nós o potencializamos e damos tração em tempo real sob arquiteturas modernas do tipo MACH (Microsserviços, API-First, Cloud-Native e Headless).
Os dados do Unified Commerce Benchmark confirmam:
🔹Os varejistas unificados conseguem multiplicar por 3x o crescimento de suas receitas.
🔹Aumentam em 1,7x a lealdade de seus clientes.
🔹Reduzem em até 31% os custos logísticos de atendimento em comparação com concorrentes fragmentados.
🔹A automação gera retornos sobre o investimento (ROI) em prazos de 3 a 6 meses, reduzindo as rupturas de estoque em até 60%.
A equação do ROI: Indicadores-chave de impacto financeiro e operacional após a automação e centralização da execução logística.
A agilidade operacional dos líderes na América Latina
Este movimento já é uma realidade tangível na região. Acompanhamos ativamente os principais operadores do mercado na evolução de seus modelos rígidos para ecossistemas inteligentes e adaptativos:
🔹 Estratégias de reconfiguração em massa: Em mercados que hoje recalculam desde a base sua matriz de rentabilidade, as grandes redes estão centralizando seus fluxos. Ao unificar centenas de lojas sob um único cérebro operacional, digitalizamos o pick & pack dos operadores em gôndola e automatizamos as substituições em tempo real. Isso permite mitigar o impacto macro e orquestrar eficientemente redes massivas de milhões de pedidos anuais.
🔹 Estratégias de antecipação e autonomia: Aqueles players que anteciparam a mudança a tempo implementaram modelos de comércio unificado para dotar de autonomia logística as suas lojas e dark stores. Ao otimizar o reabastecimento e o roteamento interno com algoritmos de ordenação preditiva, hoje navegam em cenários complexos com uma disciplina de custos implacável e uma agilidade operacional notável.
Janis Inventory & Inteligência Artificial: O verdadeiro cérebro de uma operação autônoma
360° Volumetric Optimization, Janis Commerce
Na Janis Commerce entendemos perfeitamente que a teoria da rentabilidade é inútil se a execução em campo for complexa, lenta ou traumática de adotar. Por isso, a nossa filosofia não passa por um "rip & replace" (romper e substituir) dos sistemas centrais da empresa. Atuamos como uma camada de inteligência ágil, onde o verdadeiro protagonista da mudança é o Janis Inventory, o nosso serviço de inventário projetado para controlar, sincronizar e otimizar estoque multicanal em tempo real.
Para responder às tendências do varejo moderno, estamos incorporando uma nova geração de capacidades baseadas em Inteligência Artificial e modelos preditivos orientados diretamente para otimizar o Cost-to-Serve:
🔹Sincronização de estoque e decisões inteligentes em tempo real: Quebramos os silos ao unificar o inventário físico e lógico. Isso permite que a plataforma automatize decisões de sortimento, distribuição inteligente de mercadorias e estratégias de abastecimento em tempo real, reduzindo os tempos de preparação logística em até 45%.
🔹Otimização multidimensional do espaço: O varejo eficiente é disputado a cada centímetro cúbico. Por isso, nossa camada de inteligência otimiza de forma integral o uso do espaço: não apenas nas gôndolas e armazéns físicos das lojas, mas também na cubagem eficiente de embalagens, na consolidação de cargas em veículos de transporte e na eficiência dos processos de logística reversa.
🔹Transição para uma operação autônoma e escalável: Acreditamos em um modelo onde os sistemas resolvem a complexidade sem exigir intervenção humana constante. Hoje, processos-chave como a gestão de ocorrências, as mudanças de status operacionais ou os reagendamentos automáticos de entregas são executados de forma 100% autônoma. Isso permite que os varejistas sincronizem a capacidade real de sua operação com as expectativas do cliente e escalem o negócio sem atritos.
🔹Exatidão de 99,8% para proteger o Cost-to-Serve: Elevar a precisão do inventário a um nível de classe mundial e erradicar as rupturas de estoque tem um impacto direto no resultado final do balanço financeiro. Conseguimos reduzir o Cost-to-Serve geral entre 10% e 15%, garantindo que a tecnologia se amortize e se pague em questão de meses, não de anos.
O Imperativo do Varejo 💡
Na era do comércio moderno, a inércia operacional já não é uma opção viável; é um atestado de obsolescência. A tendência não é continuar a adicionar ferramentas isoladas, mas sim construir uma camada de inteligência unificada que permita orquestrar de forma dinâmica, eficiente e escalável toda a cadeia de abastecimento.
Redefinir o Cost-to-Serve através da tecnologia não é apenas um objetivo técnico: é o imperativo para consolidar a mudança e assegurar um crescimento verdadeiramente rentável e sustentável na nossa região.
Se a sua organização enfrenta hoje estes desafios de rentabilidade e escala, entre em contacto com os nossos consultores estratégicos na Janis Commerce. Vamos analisar juntos a sua operação e encontrar a melhor forma de o acompanhar no seu processo de reinvenção.
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